Reconstruindo vidas

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Por Alberto Benedik

Receber o diagnóstico de câncer já é uma situação difícil e delicada. Quando a notícia ainda vem acompanhada da possibilidade da perda de um órgão do corpo, o choque é ainda maior. Para as mulheres que se descobrem com câncer, a mastectomia, retirada total ou parcial de uma ou as duas mamas, é mais um desafio na luta contra a doença.

Os seios têm uma representação simbólica forte para as mulheres e uma relação direta com a autoestima e sexualidade. Por isso, a mastectomia afeta psicológica e emocionalmente a vida de quem passa pela doença e pelo procedimento e, por este motivo, a reconstrução da mama é muito importante neste processo.

O procedimento cirúrgico pode ser feito no mesmo momento da retirada das mamas ou após. O profissional responsável pelo procedimento é o cirurgião plástico. A jornalista Fernanda Miranda, de 36 anos, descobriu o câncer em março de 2013 e fez mastectomia em outubro do mesmo ano, depois de 16 sessões de quimioterapia. “Fiz a mastectomia com reconstrução imediata e eu considero que para a autoestima da mulher, que está passando por um processo delicado como o câncer de mama, esse é um processo fundamental”, conta Fernanda. Ela ainda ressalta que já estava assustada com a doença e, quando escutou que iria tirar as mamas, ficou mais triste ainda, mas depois que fez a reconstrução se sentiu mais segura e satisfeita com o resultado. Ainda falta fazer mais um procedimento, o de simetria, que ela acabou deixando de lado, mas que pretende retomar.

Embora em alguns casos não seja possível fazer a mastectomia e a reconstrução na mesma cirurgia, hoje o mais comum é que se faça os dois procedimentos, simultaneamente. É o médico cirurgião plástico junto com o oncologista que vão decidir as possibilidades. Alguns fatores interferem nessa decisão, como a dimensão do câncer, tipo de tumor, tratamento anterior e pós cirurgia e as condições clínicas da paciente.

Em geral, é preciso fazer a reconstrução de mama em mais de um procedimento. A maioria dos casos exige uma segunda intervenção ou até uma terceira, até que se alcance um formato e aparência satisfatórios para as mamas. E apesar de a reconstrução ser uma cirurgia grande, mais agressiva do que as demais cirurgias plásticas nas mamas, a recuperação da paciente é normal, podendo ser comparada à cirurgia de redução.

A reconstrução

Existem várias opções para a reconstrução, e em cada caso será definida a melhor opção, pelo cirurgião plástico. Existem técnicas com retalhos de pele e músculo, e técnicas com uso de expansores ou próteses. Além dessas, também há uma variedade de técnicas para reconstruir o mamilo e a aréola.
Para o Dr. Alberto Benedik, cirurgião plástico, a possibilidade da reconstrução, além da questão estética, ajuda até no resultado final dos tratamentos para a doença, ao deixar a mulher mais confiante e tranquila, e melhorar a qualidade de vida. “É muito importante que ela esteja bem para enfrentar todo o tratamento”, completa o médico.

Um câncer comum

O câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do de pele não melanoma. Dos casos novos a cada ano, ele responde por 25%. Homens também têm câncer de mama, mas representam apenas 1% do total dos casos. É mais raro antes dos 35 anos, mas também acomete mulheres nessa fase e, acima desta idade, aumenta progressivamente o índice, principalmente após os 50 anos. Existem vários tipos de câncer de mama, alguns evoluem de forma mais rápida do que outros. Mas a maioria dos casos tem bom prognóstico. A estimativa do Inca, Instituto Nacional do Câncer, é que em 2016 quase 58 mil novos casos surgissem.

Aumentando as oportunidades

Mulheres que fizeram mastectomia vão ser atendidas por cirurgiões plásticos, gratuitamente, para fazer a reconstrução mamária graças ao 2º Mutirão Nacional de Reconstrução Mamária, organizado e coordenado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), na semana que vai até o dia 29 de outubro, sábado.
Também serão mais de 800 profissionais, cirurgiões plásticos, envolvidos na iniciativa. As mulheres que irão participar do mutirão foram selecionadas e já realizaram todos os exames necessários para a cirurgia. A previsão é de pelo menos 842 procedimentos em 98 hospitais em todo o país. Dezessete estados e o DF participam da ação.

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