Autoestima: ações de beleza ajudam no tratamento contra o câncer de mama

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De oficinas de automaquilagem a tatuagens de mamilos pós-mastectomia, cuidar da aparência pode fazer toda a diferença na qualidade de vida das mulheres.

Os principais efeitos colaterais do tratamento clássico contra o câncer de mama (que inclui sessões de quimioterapia e, eventualmente, de radioterapia) são bem conhecidos: queda de cabelos e de pelos do corpo (como cílios e sobrancelhas), inchaço, náuseas, enjoos. As mulheres que precisam passar por uma mastectomia (a retirada da mama) têm o agravante de ficarem sem mamilo, o que acaba sendo psicologicamente devastador para a maioria das pacientes.

Diante de tantas mudanças, cuidar da aparência para voltar a se reconhecer no espelho pode ser uma ajuda significativa durante o tratamento. É o que explica a psicóloga Fernanda Navarro, da clínica Neolife (SP): “Hoje damos a devida importância à autoestima. Ao receber o diagnóstico, a primeira preocupação é ‘Vou morrer?’. Em seguida é inevitável perguntar ‘Vou perder cabelos?’. E vai. A reconstrução da autoestima, do emocional e da qualidade de vida, por meio do autocuidado, interfere nos índices de cura.”

A seguir, apresentamos iniciativas incríveis que buscam ajudar as mulheres que estão passando por este momento e querem manter a autoestima em dia.

Tatuagem de mamilos

A história da avó, vítima de câncer de mama, motivou o tatuador carioca Yurgan Barret a criar o Y Rosa, projeto pelo qual faz a “reconstrução” da aréola das pacientes que passaram por mastectomia por meio de tatuagens 3D hiper-realistas. A iniciativa começou um ano atrás, no Outubro Rosa, e evoluiu para um projeto bimestral, para ajudar cada vez mais pessoas.

Já foram feitas aproximadamente 50 tatuagens. “A gente queria que este número fosse muito maior, mas é muito difícil chegar até elas”, diz Yurgan. “E muitas vezes, quando elas veem a comunicação que postamos nas redes sociais, por exemplo, não acreditam que seja realmente de graça. Quando é relacionado a câncer de mama, os casos são sempre incluídos na nossa campanha gratuita.”

A felicidade delas, a sensação de poder se sentir bem ao se olhar no espelho, é o que o tatuador considera mais importante.

Na edição 2018, a ação do Outubro Rosa inclui parceria com design de sobrancelhas (fio a fio e micropigmentação) para as mulheres que perderam os pelos durante o tratamento recuperarem o olhar, além de um grupo de discussão com o Instituto Vamos Viver.

Oficina de automaquiagem

Técnicas simples que ensinam a redesenhar as sobrancelhas, colocar cílios postiços e devolver o viço à pele durante o tratamento de câncer de mama podem dar um novo colorido à vida das pacientes. Durante todo o mês de outubro, o Coletivo Pink oferece atividades para pacientes de câncer de mama e seus familiares – entre elas, oficinas de automaquiagem do programa De Bem com Você – A Beleza contra o Câncer, do Instituto Abihpec.

“É um momento sensível da mulher. Quando ela perde os cabelos e os pelos, se perde um pouco, então buscamos um equilíbrio entre a beleza interior e a exterior. Transformar a vida de fora para dentro também pode ajudar muito no tratamento”, afirma Eduarda Santo, coordenadora de projetos do Instituto Abihpec.

Ela conta que a energia das pacientes que participam das oficinas é contagiante e que os encontros de duas horas acabam se tornando uma imensa troca de experiências, com uma energia incrível. “Elas saem felizes, confiantes, e isso é o mais importante.”

Cada participante aprende de 12 a 13 passos de automaquiagem e ganha um kit de produtos para continuar se maquiando no dia a dia.

Banco de lenços para a cabeça

Diagnosticada com câncer de mama aos 35 anos, em 2012, Flávia Flores (foto acima) viu sua vida virar de pernas para o ar. Perdeu emprego, namorado e voltou a morar com a família, em Florianópolis. Passou por um médico bem pouco humanizado que lhe disse, em resumo, que “aparência é o de menos, cabelo cresce, tire os espelhos de casa, supere”.

“Fiquei arrasada, chorei até não aguentar mais”, lembra. Tudo mudou quando uma mastologista humanizada entrou em sua vida e recomendou que ela fizesse uma dupla mastectomia e já saísse da sala de cirurgia com as próteses colocadas. “Virei outra pessoa. Saí dessa consulta animada e comecei a procurar informações sobre cabelos, cílios, amarração de lenços tudo. Criei uma página no Facebook, que virou livro, blog e Instagram e, finalmente o Instituto Quimioterapia e Beleza. Meu tratamento não foi tão horrível quanto eu esperava. A autoestima fez toda a diferença.”

Curada, Flávia decidiu manter as energias voltadas ao auxílio de mulheres que estejam passando pelo que ela já passou. É embaixadora do programa De Bem com Você – A Beleza contra o Câncer, do Instituto Abihpec e criou o Banco de Lenços Flávia Flores. “Já distibuímos mais de 25 mil lenços. A mulher entra em contato, diz como é seu estilo, escolhemos um lenço e enviamos”, conta.

Consultoria para escolha de perucas

O uso de perucas na fase de queda de cabelos do tratamento contra o câncer de mama é uma escolha comum entre as mulheres que tenham algum dinheiro para investir – o custo de uma boa peruca é no mínimo de R$ 3.500.

Para quem opta por esta solução, a Crown Wigs oferece consultoria de escolha da peruca que melhor se adeque à mulher. O mais comum é que as pacientes busquem modelos parecidos com seu visual natural, então a consultora de imagem Rafaela Leite recomenda que o serviço seja procurado logo que o diagnóstico seja revelado. “É importante ter o próprio cabelo da cliente como referência”, justifica. “Ela poderá se adaptar mesmo ainda tendo seus próprios fios. Até por uma questão psicológica, é mais fácil aceitar a perda dos cabelos tendo a segurança de que já há uma peruca muito parecida com eles à disposição.”

A pernambucana Aldenora Miranda Vasconcelos (na foto acima) recorreu à consultoria e considerou uma decisão muito acertada. “Claro que a queda de cabelos fica pequena diante de um diagnóstico de câncer, mas o cabelo mexe muito com a autoestima. A peruca me ajudou a, de alguma forma, viver uma vida normal, apesar de todas as limitações de um paciente oncológico”, relata.

Fonte: mdemulher

 

 

 

 

 

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