Especialistas reforçam importância da reconstrução mamária para a autoestima

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Longe de ser uma simples pintura na pele, o desenho das aréolas pode significar o fim de um processo, muitas vezes doloroso, e marcar o início de uma nova etapa, em que a mulher se sente novamente completa e reconstruída. É o que explica a psicóloga Regina Maria Paschoalucci Liberato, consultora do Instituto Oncoguia:

– A mulher perde uma parte importante do corpo dela, que tem um significado, que mexe com a imagem do feminino. Existe um significado da mama ligado à questão da feminilidade, maternidade. A mama é um pedaço do nosso corpo carregado de sentido. É óbvio que uma mulher não é uma mama, nós somos muito mais do que isso, mas nós somos isso também.

Com a finalização da reconstrução mamária, a paciente, que teve uma doença que mexe diretamente com a autoimagem, volta a se sentir segura, confortável em se encarar, se olhar no espelho. A psicóloga reforça que essa reconstrução pode ser imediata, mas o melhor momento é quando a mulher está pronta para que isso seja recebido.

– A cirurgia plástica restauradora é uma arte e generosa, porque devolve à mulher a possibilidade de se sentir de novo restaurada, reconstruída. Ela se apodera novamente do seu corpo e isso é uma coisa muito importante para ela – resume.

A presidente da Associação Brasileira dos Portadores de Câncer (Amucc), Leoni Margarida Simm, reforça que quando a mulher faz a reconstrução mamária volta a ter o volume, mas só com a aréola e mamilos tem a sensação do seio completo:

– Sem a reconstrução, a mulher não consegue levar uma vida normal, está incompleta, ela está com a sensação do buraco no peito, de incompletude e afeta a sexualidade, os relacionamentos, não se sente bonita. Com o seio completo, isso faz com que se sinta mais à vontade com o parceiro, mais plena.

Apesar de haver mais procura pelo direito da reconstrução mamária, a presidente da Amucc diz que ainda há pacientes que encaram a mutilação como o preço que têm que pagar por terem sido salvas.

O implante da mama após a mastectomia é garantido por lei e pode ser feito pelo SUS. A indicação é fazer a plástica, quando existirem condições técnicas, na mesma cirurgia de retirada do seio. Se não for possível, a paciente deve ser atendida ao alcançar as condições exigidas. Mas Leoni alerta que, nestes casos, ainda é um desafio que essa mulher seja atendida logo, já que é uma cirurgia considerada eletiva e não urgente.

Porém, o grande gargalo da doença no Estado ainda está no diagnóstico precoce. Não há fluxo rápido e contínuo depois da mamografia para passar por uma ultrassonografia até chegar a uma biópsia, para, então, começar o tratamento.

– O melhor de tudo é a mulher detectar o câncer precocemente, porque ela consegue fazer uma cirurgia que não precise retirar o mamilo ou passar por uma reconstrução dele. O diagnóstico precoce possibilita cirurgias menos mutiladoras – defende o mastologista Carlos Crippa.

Fonte: DC Clicrbs

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